segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Pequenos momentos. Grandes recordações.

Meu pai era o cara das azeitonas. Comia as que deixávamos no prato, sempre que a nossa refeição era uma pizza. Depois que ele se foi, uma azeitona dando sopa num prato vazio, tornou-se a materialização de sua ausência e, ao mesmo tempo, de sua presença forte na família.

Era, também, um contador de histórias. Muitas. Geralmente, quando voltava de algum encontro com os amigos e compadres de cachaça, trazia alguma informação engraçada ou inusitada. Aliás, quando o álcool chegava naquele grau de causar alegria e solidariedade fraterna, meu pai costumava arranjar padrinhos para os filhos. O problema é que éramos, apenas três e os amigos eram muitos. Sem contar que a mãe das crianças nunca era consultada.

Nos aniversários, costumávamos acordar ao som da sanfona. Mais ou menos às seis da manhã, ele entrava no quarto tocando e cantando parabéns. Tentei aprender, mas nunca entendi como sincronizar os 120 baixos (aqueles botõezinhos pretos), todos iguais, com o teclado e, ainda, abrir e fechar o fole. É necessário muita coordenação motora e os conhecimentos musicais dele eram totalmente instintivos para que pudesse me explicar essa dinâmica de uma forma didática. 

Tenho lembranças fantásticas da infância que, por mais que pareçam triviais, me causavam um sentimento muito bom e não lembro ter revivido algo parecido depois de adulta. Uma delas é saindo da igreja, com ele, para comprar um bombom que vinha com um anel de plástico de brinde.  Eu tinha de todas as cores. Ganhava um por domingo e aquilo era maravilhoso. Eu brincava de ser rica com uma jóia valiosa.

Meu pai também foi o dentista extra-oficial dos filhos. Ele tinha um certo prazer sádico em arrancar nossos dentes de leite. Pedia só para ver se já estavam moles o bastante e, aproveitava, e empurrava o dedão. E, acabou participando diretamente das nossas mudanças dos dentes. Hoje, as crianças colocam embaixo do travesseiro para a fada do dente levar e deixar, em troca, uma moeda. No meu tempo não tinha essa fantasia. Era quase uma cerimônia de iniciação tribal, com direito a uma espécie de ritual. Era para girar três vezes com o dente na mão dizendo 'morão morão, pegue seu dente podre e me dê o meu são' e, depois disso, jogá-lo no telhado de casa. Lembro como a cena de um filme.

Na minha infância, fomos muito parceiros, principalmente, nos sábados. Era um lazer, para mim, acordar de madrugada para ir fazer a feira de frutas e verduras no mercado público. Mainha ia colocando a mão na massa, escolhendo, contando, mandando pesar as coisas, enquanto eu e painho bebíamos um caldo de mocotó num restaurante bem popular. Eu era pequena, mas também era uma tracinha porque eu sempre repetia. Depois de adulta, cortei as carnes de gado da alimentação, mas quando lembro desse caldo e dos mocotós, num prato duralex colorido, tenho uma imensa sensação de prazer.   

Os cientistas dizem que somos constituídos de átomos. Mais que isso, nós somos feitos de histórias. E de história em história crescemos, viramos adultos e moldamos o nosso caráter. Uma presença paterna tem papel fundamental nesse processo. 

Parabéns aos pais que fazem com que o filho acredite que é o personagem principal desse enredo diário e que, naturalmente, revertem os pequenos momentos em maiores lembranças. 


Medalha de prata, mas para ele eu sempre estava nos primeiros lugares.

 Feliz aniversário com sanfona

 Parabéns. Aniversário de Rafael, em cima da cama e com direito a forró.

 Raquel, Joaquim, Rafael, Lourdinha e dentro da barriga, Rodolfo. 


 Rodolfo, finalmente, nasceu e nasceu palhaço. Eu me identificava com a viúva Porcina e Rafael achava que morava numa batcaverna.

As valsas de formaturas de ABC são boas recordações

domingo, 28 de julho de 2013

Trilhos, dormentes, estação... só faltou o trem!

Partidas e chegadas. Encontros e despedidas. Tristezas e alegrias. É assim a vida. Algo bem representado pelas estações de trem. Uns indo embora. Outros chegando. Retornando. Algo um tanto reflexivo. Filosófico.

Pessoalmente, a imagem de trilhos sempre me causou uma sensação de perspectiva, futuro, ir em frente, chegar longe. Algo muito bom de se sentir.

Cresci numa rua que ficava em frente a um trecho da linha do trem. Lembro de alguns vagões carregados de pedras. E, como não era algo freqüente, o som dos vagões passando tirava todo mundo de dentro das casas. Grande parte da rua ficava admirando a cena. Lembro, também, que os vagões eram avermelhados e que tinham bem grande o nome RFFSA.

Eu tinha um desejo, apesar de achá-lo impossível, de seguir algum trecho de trem. E várias vezes sonhei(literalmente) viajando em um. Por incrível que pareça, ainda hoje sonho com trens. Infelizmente, nunca estou dentro deles, só do lado de fora olhando.

Depois de adulta, o destino me colocou em contato, novamente, com essa história de trem e trilhos. Recebi um convite para administrar um antigo armazém pertencente a essa mesma linha e que seria transformado em um centro de cultura. Logo, quis conhecer a história daquilo tudo. Armazém, estação, locomotivas, maria fumaça, vagões. Então, fiz uma pesquisa com alguns ferroviários aposentados que residiam na cidade.

A Estação Ferroviária de Salgueiro, inaugurada em 1962, é o fim da Linha Centro, que ligava o litoral pernambucano ao Sertão. De fato, é o que podemos chamar literalmente “o fim da linha”, pois o projeto ficou inacabado. A proposta inicial era continuar o trajeto até Missão Velha, no Ceará. Esse intento, no entanto, nunca foi concretizado. E o lugarzinho onde os trilhos acabam, ficou sendo chamado de corte.

Nossa programação de domingo, hoje, foi fazer um pic nic em uma dessas muitas estações entre Salgueiro e Recife. Distante 15 km da área urbana. Abandonada e em ruínas. Mesmo assim, dá para sentir toda a energia do que aquilo representou e testemunhou. O nome, na fachada do prédio, ainda está intacto. Engenheiro Arlindo Luz. Quem teria sido? Merece uma pesquisa. De acordo com os ferroviários com quem conversei, é a 43ª estação desde Recife. A seguinte, e última, é a de Salgueiro, onde, atualmente, funciona uma secretaria municipal.

As casas, onde os ferroviários residiam, ainda permanecem lá, mas, igualmente, em situação de deterioração.

Entre as músicas mais bonitas de Milton Nascimento, uma, em especial, traduz um pouco desse romantismo e simbolismo das estações de trem e me marcou muito, na morte do meu pai. Uma bela composição chamada Encontros e Despedidas. Ajudou-me a compreender o processo natural da vida. Perdas e ganhos. Nascimentos e mortes. Idas e vindas. Alegrias e tristezas. Meu pai partia ao mesmo tempo em que muitos acabavam de chegar ao mundo. E na mesma estação, que é a vida.

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais

E é bonito perceber que o trem que chega é o mesmo que parte.

Pois bem. Embaixo de um pé de algaroba, sobre os trilhos de ferro e os dormentes de madeira, inspirados, mesmo que inconscientemente por todos esses simbolismos, improvisamos uma refeição bem típica de nossa região. Uma deliciosa galinha de capoeira, baião de dois e farofa de cuscuz. Muitas conversas. Bastantes risadas.

E o lugar do abandono, pelo menos hoje, foi povoado por um encontro entre amigos.  

 Perspectiva


Lá em cima, ainda conservado: Engenheiro Arlindo Luz


Fachada em 2013. 15 km da zona urbana de Salgueiro


Fachada em 1960


Estação, pelo lado de dentro


Casa dos ferroviários em ruínas


Galinha de capoeira, cuscuz e baião de dois


 Já que o trem não passa mais...


 É (foi?) a 43ª estação da linha Recife-Salgueiro


Equilíbrio

Fundos da Estação. Percebam, em segundo plano, as casas dos ferroviários




Jéssica, Nih, Bruno, Willy, Raquel


Encontros e Despedidas. interpretação de Maria Rita. 
O trem que chega é o mesmo trem da partida.



O trem inspirando Raul Seixas

segunda-feira, 22 de julho de 2013

E, ontem, no Jornal do Commercio....

...uma ótima descrição sobre a Baba Yaga.

Comemoramos nossa terceira vez no Jornal do Commercio - JC. A edição é a de ontem, 21 de julho de 2013, por Carol Botelho ;-)

Quem ainda não conhece o nosso site, é só acessar www.ateliebabayaga.com.br.

Entregamos pelos Correios. 



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Legado de carinho


Até pouco tempo, a maioria das mulheres tinha uma máquina de costura em casa.  Sempre há uma bainha para ser feita, uma alça para ser diminuída, um vestido para ser ajustado. A praticidade dos tempos mais modernos, no entanto, contribuiu para o surgimento de oficinas de conserto onde uma profissional faz o trabalho e recebe por ele.

Durante muitos anos, vesti roupas feitas pela minha avó.  Fui crescendo e troquei a alfaiataria pelas peças industrializadas. Com a produção em larga escala e a emancipação feminina, as máquinas começaram a ser aposentadas nos lares e, hoje, é muito difícil encontrar uma mulher que costure sem fins profissionais.

Imagino que criar e produzir, pessoalmente, as roupas dos filhos e do marido deva ser algo muito prazeroso. E, claro, fazer o próprio figurino, receber elogios e responder sempre com vaidosos 'fui eu quem fiz'.

Sabrina casou em novembro do ano passado, na Catedral de Santo Antonio, em Salgueiro, e teve o privilégio de responder aos elogios com emotivos 'foi minha mãe quem fez'. Uma enorme prova de carinho. Aliás, os vestidos das daminhas, que ficaram primorosos, também foram confeccionados por ela. 

A mãe de Sabrina é empresária e não vê incompatibilidade em ter sucesso profissional e cultivar dotes femininos. Lêda, também já foi noiva, casou em julho de 2002 e costurou e bordou o próprio vestido de casamento, além das roupas das daminhas, da sogra, da mãe e das duas filhas. Um gesto de afetividade simbolizado na herança deixada pela avó, uma máquina de costura, bem diferente dos modelos atuais, com poucas funções e, inutilizada pelo passar dos anos. Mas, sem dúvida, algo que representa muito para Sabrina, Lêda e toda a família.



Sabrina: vestida de carinho



'Foi minha mãe quem fez'


Cumplicidade que faz toda a diferença num dia tão importante 






Pétalas para Sabrina


Daminhas vestidas pela mãe da noiva



Irmanzinha da noiva, Laís, também pode dizer 'foi minha mãe quem fez'


A mãe de Sabrina também já foi noiva e pode fazer inveja: 'fui eu quem fiz'



Daminhas de Lêda por Lêda. O noivo, Clélio.


Lêda, entre Synara e Sabrina, em 2002. A noiva confeccionou o figurino das duas filhas. 



Relíquia de família. Valor sentimental impagável.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

A saudade é dor pungente, morena. A saudade mata a gente.


Em 1900, Manoel Joaquim, que morava no Cedro-PE, embarcava em direção ao norte do País. Deixava, provisoriamente, uma esposa e quatro filhos. 

Em um barco a vapor chamado Paes de Carvalho, percorreu alguns rios entre Piauí (Amarante, Teresina), Maranhão (Caxias e São Luís) e Pará, até chegar a Manaus, no estado do Amazonas.

Registrou a saudade de casa e da família em um diário, que se perdeu, e em cartas, algumas das quais foram conservadas até hoje, ainda que em fragmentos. Mas, para mim, o registro maior de todos é o do sentimento pela esposa que, aliás, tinha um nome inspirador. Era Bemvinda do Amor Divino. 

Nessa época, as notícias demoravam a chegar. Imagine, um mês para uma correspondência chegar ao destino e mais outro mês para retornar como resposta. Sem o telefone ou a internet e seus recursos que, hoje, amenizam a saudade, os reflexos da distância são inimagináveis para a nossa geração. Principalmente se for entre pessoas que se gostam.

Em 9 de abril de 1902, Manoel Joaquim redigia uma carta para Bemvinda e relatava que, apenas, em 28 de março, pode estar em posse da “amável cartinha datada de 23 de fevereiro”  postada por ela. Um mês e cinco dias contados da data de envio.

É esse o tom das palavras. Muito afeto e diminutivos carinhosos. Deixa, para os tradutores, uma boa definição sobre a saudade, termo considerado de difícil tradução:

 “(...)um só momento do dia e da noite desde que tive a infelicidade de sahir da tua presença até esta data nunca jamais me esqueci de ti, nem descansarei o meu espírito semq nos vejamos. (...) Este ano e tantos meses de auzencia tem sido para mim uma porção de séculos passado no mais duro cárcere (...)”.

Na carta de 23 de fevereiro (não tive acesso), Bemvida relata problemas de saúde. Em resposta, Manoel supõe que seja mal de um amor distanciado. “(...) essa mesma saude que indica a convalencia do que sempre andas soffrendo, toda via crendo ao mesmo tempo que são malles cauzados pelo nosso amor a tanto tempo distanciado.”

Infelizmente, quando Manoel Joaquim retorna ao Cedro, em 1902, não encontra a esposa. Morrera, havia oito dias, com, apenas, 26 anos.

Neste fim de semana estive com uma das netas de Manoel e Bemvinda, Jacintha Anna (84), e perguntei sobre a causa do falecimento da avó. Ela não sabe informar.

Eu, particularmente, acho que é possível adoecer de saudade. E morrer de amor.

Tenho o privilégio de ser trineta de Manoel e Bemvinda e de ter tido acesso a um pedacinho pequeno, porém muito significativo da minha história que, agora compartilho com vocês. São essas as maiores heranças.







Transcrição:

Pará, 9 de Abril de 1902

Querida Bemvinda, abraço-te. No dia 28 de março as 4 ½ horas da tarde entrei 2ª vez na posse de tua amavel cartinha datada de 23 de fevereiro p. findo a qual veio encher-me de prazer por saber da tua saude e de nossos filhinhos(...)

(...) essa mesma saude que indica a convalencia do que sempre andas soffrendo, toda via crendo ao mesmo tempo que são malles cauzados pelo nosso amor a tanto tempo distanciado.

Deus e nossa Mãe Maria S.S. não desampara os seus e portanto é em qm verdadeiramente confio o nosso bom êxito o mais breve possível ...

(...)um só momento do dia e da noite desde que tive a infelicidade de sahir da tua presença até esta data nunca jamais me esqueci de ti, nem descansarei o meu espírito semq nos vejamos. Este ano e tantos meses de auzencia tem sido para mim uma porção de séculos passado no mais duro carcere, porém esperando em Deus ser absorvido e entrar a gozar a tua amável presencia o mais breve possível.

Pezaroso pelos óbitos registrados recentimente em gentes de nossa família, peço a Ds os tenha na sua Gloria! ...

Unindo meus dezejos aos teus faço votos a Virgem da Conceição para que se digne proteger-nos para o comprimento da promessa que fizestes ao bom Jesus, entermediando para este fim a conservação do cabello do nosso Chico de Assis.

Aceitai mª quirida Bemvinda, o coração e um abraço deste que com a mais elevada estima e distincta consideração se digna ser e assignar.

De teu, M.  que ti estimará até a morte

Manoel Joaquim Leite





Agradecimentos à Jacintha (Tia Cintô) e a Manoel Joaquim Leite Neto (neto de Manoel Joaquim) que, além de ter me repassado as cartas, escreveu o livro Cedro Madeira de Lei, que utilizei como fonte de pesquisa. Observando que a transcrição, nesta postagem, não está em conformidade com a do livro.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Seu carteiro, alguma carta para mim?



A humanidade sempre deu um jeitinho de encurtar distâncias. Até pouco tempo, a carta era a principal forma de conexão entre pessoas de territórios diferentes. Não tinha as vantagens de uma comunicação instantânea como é o caso do facebook ou do twitter. A internet possibilita que com um simples enter, pressionado em Salgueiro, uma mensagem de texto chegue ao destinatário, em tempo real, na China ou no Japão. Ou seja vista, no mesmo instante, por internautas de qualquer um dos seis continentes do planeta.
Maravilha todos esses avanços! Aumenta a eficiência e dá para camuflar um pouco da saudade.
A vida, no entanto, é feita de perdas e ganhos. Ganhou-se instantaneidade. Perdeu-se um pouco da emoção. Clarice Lispector perfumava as cartas que escrevia. Veja que legal, enviar seu cheiro, pelos Correios, para um amigo ou um namorado! Mandar uma florzinha que passou alguns meses secando dentro de um livro grosso. E, o que eu acho mais fantástico de tudo isso, reconhecer a caligrafia. Uma espécie de digital. Nenhuma grafia é igual a outra.
Eu ainda escrevo bastante, em papel (real, não virtual). Faço diários. E, essa semana, me peguei pensando como seria a letra de uma certa pessoa conhecida minha. Considero algo bem importante. Se a escrita é grande ou pequena. Se inclina para a direita ou para a esquerda. Se é gordinha ou fininha. Se é toda em caixa alta... Uma identidade que nem precisa de assinatura.
E pegar no papel? Receber das mãos do carteiro e abrir o envelope imediatamente, de tanta ansiedade e, ao mesmo tempo, de emoção.
Ainda não consigo enxergar a comunicação virtual preservada no decorrer de um longo intervalo de anos, como acontece com as tradicionais cartas.
Encontrei preciosidades que resistiram há algumas décadas. A família de seu Edson Filgueira compartilhou, comigo, e agora com vocês, leitores, três cartas. Duas de 1943, remetidas de Salgueiro, por seu Cornelinho, um comerciante importante da cidade, para o afilhado, no caso, Seu Edson, em Ouricuri. Percebam o tom de extremo carinho na seleção dos termos e, também, as marcas do tempo, que me impediram de identificar alguns trechos (os quais serão indicados por interrogações, nas transcrições, logo a seguir). Numa delas, seu Cornelinho descreve o exato horário em que está redigindo. Era um réveillon. Rompeu o ano escrevendo para o afilhado e se perguntando se, no próximo 31 de dezembro, estaria vivo. Sensibilidade documentada para outras gerações. Imaginaria, Seu Cornelinho, que o conjunto papel-texto-caligrafia-emoção, produzido por ele, seria publicado num blog, no ano de 2013, para o acesso a partir de qualquer lugar do planeta? Acho que não.
A outra correspondência, mais recente, de 1978, foi emitida de Recife, por Dr. Orlando Parahym, médico, político e professor, também, para Seu Edson, em Salgueiro. Uma carta de amizade que, assim como as demais, é guardada com excessivo cuidado e carinho pelos filhos e, com certeza, passará aos netos e bisnetos de Seu Edson... E, do jeito que a tecnologia avança, cada vez mais rápido, quem sabe chegue a virar peça de museu, seguindo em frente, como retrato de um romantismo ultrapassado.

CARTA 01
Ano de 1943


CARTA 02 (3 páginas. A família suprimiu algumas folhas)
Ano de 1943




CARTA 03 
Ano de 1978



Transcrições

CARTA 01

Salgueiro, 27 de abril de 1943

Edson

Abraço-te.
Faço votos pela  ?texto não identificado?  saúde.
Dou por meu poder tua prezada carta da qual foi portador o Pelucio.
Fiquei muito satisfeito em saber que vais passando bem. Tuas calças e camisas estão na costura, só não vão hoje devido a Semana Santa; mas, na primeira oportunidade, ?enviarei?. Ficamos sem ?alteração?. Remeto uma ?camisa? de meia. Tenho fé em Deus que ficará curado e de terminarmos os dias juntos.

Adeus.

Todos te enviam lembranças.

Do padrinho e muito amigo,

Cornelinho.
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CARTA 02

Salgueiro, 31/12/43

Edson

Deus te abençoe

São 12 horas da noite, dentro em breve estaremos em 1944. Hora de muita saudade e apreensões. Quantos entre nós que agora estamos aguardando a entrada do ano será vivo em 31 de dezembro de 1944? Nesta hora me vem recordações profundas do tempo em que via no meu lar você, Vieira, hoje separados de mim por força do destino e circunstancias alheias a minha vontade. Paciência. Pode ser que ainda os veja reunidos.

O ano de 1943, foi um ano muito comercial, encerramos os nossos apurados em cerca de 750,000 $ 000. Penso que aparecerá algum lucro. A tal uzina de caroá é que tem me feito criar cabelos brancos pois o tal lacambeche só vive desmantelado.

Notícias de casa. João está com a nossa casa de Bezerros, pois nos comprou o sítio e vai fazendo as compras aqui na loja com 10% de aumento do custo em Recife. Papai vai naquela vida de sempre, um dia melhor, outro se queixando. Ultimamente tem andado muito doente.

Chiquinho e Toinho vão bem.

Fica aqui um convite para vir passar a semana santa comigo. Pagarei todo o transporte. Você já deve ter sido aposentado nos comerciários. Ainda não sei quanto irá receber. O que precisar mande dizer. Não quero que lhe falte nada. Adeus. Aceite nossas saudades.

Do padrinho amigo,

Cornelinho.

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CARTA 03


Recife, 18 de julho de 1978

Meu prezado amigo Edson:

- Venho cumprimentá-lo pelo casamento de sábado. Desejo aos nubentes todas as felicidades possíveis. Para você e sua esposa sinceras congratulações.
Particularmente a Você, como pai, envio cordial abraço pela felicidade de ver a nova geração encaminhando-se nos seus próprios destinos. Felicito-o pela maneira como V. tem sabido conduzir a família numa época em que os valores tradicionais se deterioram a olhos vistos. Tudo reflete falhas na educação doméstica. Entretanto você soube manter a fibra moral dos velhos chefes de família do sertão e por isso merece toda a admiração. Receba forte e sincero abraço do velho amigo que muito o estima.


Orlando.

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Seu Edson Pereira Filgueira tem 94 anos e reside em Salgueiro com a esposa Dona Maria.  Agradecimentos ao casal e à neta, Elizabeth, que colaborou cedendo as cartas para a publicação.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Entrevista da Baba Yaga na TV Grande Rio


TV Grande Rio, afiliada da Rede Globo, no Sertão. Junho de 2013. Entrevista por João Barbosa.

;-)

Só um detalhezinho equivocado na fala do apresentador. A renda não é extra. É a principal. No mais, foi tudo ótimo. Gostei!

Uma jovem centenária


102 anos de vida e muita paciência. Perguntei a Dona Lia qual era o segredo. ‘Paciência’. Resposta bem incisiva. ‘E não escutar o que falam de você’. 

Incrivelmente lúcida e forte, demonstrou pessoalmente como o bando de Lampião dançava. E fez os passos ágeis do xaxado. Aprendeu só de prestar atenção à tropa que, vez ou outra, era recebida na casa dos seus pais. Decorou, também, as modas que os cangaceiros cantavam e com uma voz firme mostrou-as para mim.

Uma contagiante alegria composta pelos poemas que recita, músicas que canta, a dança e bom-humor de sobra. Satisfação imensa de existir. 

Resiliente, adaptou-se às mudanças dos costumes e da tecnologia no decorrer de um século e não se ressente delas. Sem saudosismo ou crítica. Ela está, sempre, bem mergulhada no presente.

E, qual o momento mais marcante de todos?, eu quis saber. ‘O casamento dobrou minha felicidade’. Descreve o marido e a história que tiveram com muito encanto. Ele era benzinho. Ela também. Era assim que tratavam um ao outro. Quando o conheceu, em um forró, ele era noivo, mas logo desfez o compromisso e, seis meses depois se desposaram. Casaram-se em 1935.

Com João, Dona Lia (que, na verdade, se chama Maria) teve dez filhos, 49 netos, 52 bisnetos e 10 tataranetos.

Infelizmente, seu parceiro faleceu quando faltava um mês para os 50 anos de união. Mas, ela superou o luto com a paciência de que tanto fala e recomenda. E tocou o barco para frente. Incansável (é a sensação que tenho quando a vejo) e, de acordo com a filha mais nova, sem reclamação alguma. Um único medicamento para controlar a pressão. No mais, saúde de ferro.

E eu, ainda, encucada, nem tanto pela longevidade, mas pela alegria nata e resistente, estou bem perto de concluir, que a juventude é, realmente, um estado de espírito. Não tem idade, textura, aparência e, aparte todas as transformações políticas, sociais e as descobertas da ciência, a verdadeira jovialidade permanece inabalável. 

Que Dona Lia viva outros muitos e muitos anos de vida, deixando, por onde passa, o testemunho não só de uma vida longa, mas de uma vida feliz.


OBS.: Dona Lia (Maria Pereira Neves) nasceu em Jardim-CE, em 1911, mas veio para Salgueiro-PE pouco tempo antes de casar com João da Cruz Parente, onde permanece até hoje.

sábado, 15 de junho de 2013

Vai na feira, ainda dá tempo!

Acabei de comprar minha sandália de couro para o forró, na feira livre de Salgueiro. Elas estão na faixa de R$ 15,00, na banquinha de Seu Geraldo, que fica em frente ao antigo Lojão do Jeans, na Rua Francisco de Sá. Do ladinho, tem Seu Manoel, também, com outras opções. Quem não se organizou ainda e quiser entrar em contato com um dos dois, o telefone é 87 9635 7080. 

Bolsas desse tipo, você encontra no Mercado de Casa Amarela, no Recife. A sandália pode ser comprada em Seu Geraldo, na Rua Francisco de Sá, em Salgueiro. O vestido pode ser adquirido na Baba Yaga.

Banquinha de Seu Geraldo, na Rua Francisco de Sá, em Salgueiro. Rua da Mania de Festas.

Essa daqui eu adquiri no Mercado de Casa Amarela, em Recife. Lá comprei, também, a bolsa da primeira foto desse post. Primoroso trabalho. Dez a zero na Arezzo. E o bolso agradece.

domingo, 9 de junho de 2013

Babados fortíssimos e muito fuxico

Vestido três babados/ floral, xadrez e tecido liso com fuxico.
R$ 110,00

Confeccionamos do manequim 36 ao 50.
Para quem não mora em Salgueiro, enviamos pelos Correios (o cliente paga o frete).
Entregamos em até 8 dias depois da confirmação do pagamento.
Raquel - 87 8809 9970
Luzia - 87 8831 6599


Veja, em detalhes, como comprar clicando aqui.