quarta-feira, 8 de maio de 2013

No tempo em que se escreviam dedicatórias nas fotos

Segunda postagem especial de maio. Até o final do mês, contaremos as histórias reais escondidas nas fotografias de noivas, em várias épocas distintas. 

Resgatamos, do arquivo de família de Dona Terezinha Freire (minha* professora de português no ginásio), as duas imagens que se seguem. De encher os olhos, não? Um tempo romântico em que as pessoas tinham o carinho de oferecer, aos parentes e amigos, uma fotografia como recordação e, ainda, dedicá-la à punho.

Primeiramente, vamos falar sobre o sorriso de Norma, ao lado do marido Munizinho. É perceptível a imponência e a altivez, em sua postura, provavelmente, consequências da felicidade que sentiu, nesse dia.  O casamento, conforme a própria dedicatória, aconteceu em 1951, no Rio de Janeiro. Ela era filha de portugueses. Ele era de Salgueiro(PE) e, muito cedo, por volta dos 15 anos, mudou-se para a cidade maravilhosa, onde tornou-se um dos sócios da marca de tintas Ypiranga e onde, também, conheceu Norma. 

Ela era linda, concordam? E o vestido estava um sonho. O casal teve três filhos: Gustavo, Ricardo e Magda. 

Infelizmente, muito nova, aos 32 anos, Norma foi diagnosticada com esclerose múltipla. O marido procurou tratamentos no Brasil e no exterior, o que talvez tenha prolongado a vida da esposa em 10 anos. Ela faleceu aos 42. Munizinho, em 1993.

Dedicatória: "Para Tia Noemia, Tonheiro e primos uma recordação de Munizinho e Norma. Rio, 8-12-51"



A noiva, a seguir, Terezinha Freire (prima da, também, Terezinha Freire que me cedeu as fotos e as informações), apesar de ter parentes em Salgueiro(PE), era nascida e residente em Salvador (BA). Casou-se entre 1946 ou 1947, na sua cidade natal, com Antenor Martins, proprietário de um grande frigorífico. Ela teve o privilégio de usar um vestido confeccionado pela tia, Severina Freire de Moraes. Era uma época em que as mães, avós e tias das noivas tinham talentos manuais para criar, costurar, bordar e faziam questão de homenagear filhas, netas e sobrinhas, com um gesto tão íntimo.

Da união, nasceram Eliane, Marcos, Antenor, Cláudio, Lícia e Quintiliano.

A família de Salgueiro perdeu o contato com o casal e não têm informações atuais sobre eles.

Terezinha. Vestido feito pela tia Severina. Queria uma penteadeira dessas para mim.



O tempo passa, os costumes mudam, a tecnologia evolui, mas o sonho de casar numa igreja, e de branco, continuam bem atuais. Aliás, bem forte. A noiva das fotos abaixo é minha prima, Ana Carolina, em um dos vestidos de noiva mais bonitos que já vi, sem contar que ela é linda (como todas as mulheres da família). Conferi de perto a emoção de Carol, que entrou na igreja sem controlar o choro. Impossível não chorar junto. Casou-se em 2010 com Ademir Filho e estão esperando a chegada do primeiro filho, Gabriel.

Carol, antes do choro e vestida de deusa.

Quem venha Gabriel!



*As postagens deste blog são de autoria de Raquel Rocha.

2 comentários :

  1. Nunca soube que dona terezinha tinha tantos filhos...

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  2. São primos de Dona Terezinha. Não filhos!

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